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Interdição na Erivan França volta a afetar trânsito e comércio da praia

Pela segunda vez em menos de dois meses, a Avenida Erivan França, na orla de Ponta Negra, está interditada para obras da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). A intervenção começou na terça-feira (23) e deve durar 15 dias, com previsão de conclusão até 7 de outubro. O motivo é o reparo de uma rede coletora de esgotos, de 300 milímetros, após novo afundamento identificado na tubulação.

O bloqueio ocorre no trecho próximo à Base de Apoio Operacional e restaurantes da região, como a Casa do Cangaço e a Barraca do Caranguejo. O tráfego em direção ao Morro do Careca continua liberado, mas para moradores e turistas que circulam entre a Avenida Engenheiro Roberto Freire e a orla, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) mantém uma operação “Pare e Siga”, alternando o fluxo em um sentido por vez.

A Caern explica que a obra exige substituição da rede coletora e dos ramais de esgoto dos imóveis, além de serviços complementares com necessidade de rebaixamento do lençol freático. O prazo para conclusão, segundo a companhia, se dá em virtude das más condições do terreno local e da ação das marés. A STTU reforça que os motoristas devem redobrar a atenção durante a execução do trabalho.

Essa é a segunda interdição em menos de dois meses. Em 29 de julho, outro trecho de 30 metros da mesma avenida, na altura do letreiro “Natal”, precisou ser escavado para reparos semelhantes, em um serviço que durou cerca de dez dias.

Comerciantes relatam queda no movimento e dificuldades para receber turistas. Francisco Tavares, dono de uma loja de artigos, afirma que a situação provocou prejuízos imediatos. “É a segunda vez. Caiu 90% do movimento. Uber não desce, táxi não desce, carro particular não desce. Metade do nosso fluxo vem por aplicativo, e agora a praia está praticamente apagada”, lamenta.

Para Eduardo Santana, gerente de um restaurante próximo, além da obra, a falta de aviso prévio também prejudicou o setor. “Essa interdição influencia muito, principalmente para quem não está hospedado na região. O turista tem dificuldade de chegar e, sem estacionamento, muitos desistem. Não houve comunicação antecipada”, afirma.

Já a comerciante Ana Marta acredita que as interdições afetam mais a praia em si do que o comércio de vestuário. “Estou aqui há quatro anos e nunca tinha visto isso de afundar a rua. Agora é a segunda vez em três meses e pode ser por causa dessa obra da engorda. O turista que vem de passeio até aparece na loja, mas no dia a dia a praia fica esvaziada com ou sem essa obra”, conta.

Mas nem todos concordam com ela. Ao caminhar pela via é possível verificar que há trechos com sinais de afundamento, inclusive nas calçadas. “Se andar pela orla, vai ver vários pontos com calçadas quebradas e buracos. Isso faz tempo e precisa de um estudo e uma reforma completa para saber o que está acontecendo”, conclui o comerciante Francisco Tavares.

Fonte: Tribuna do Norte